Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_12

"MINHA PREGUIÇA É NECESSÁRIA"
ORAÇÃO
"Obrigado Senhor, muito obrigado pelo dia, pelo batom de Marilu, porque ela teve gosto na escolha da cor"...
É assim que Dorival Caymmi começa o seu dia, logo depois do nascer do sol, olhando pela janela do apartamento em Copacabana as mulheres que já passam pela rua.
Foi apresentado à sua Oração da Manhã por um amigo e até hoje não sabe quem é o verdadeiro autor. Ainda assim, resolveu adotá-la como parte de seu ritual.
Depois dela, costuma ficar longo tempo em silêncio, parado, até que a mulher e os empregados acordem para o café da manhã. É a preguiça Dorival Caymmi. A "preguiça necessária", como diz.
Para quem sempre prezou "uma certa vagabundagem", até para garantir uma boa qualidade musical, Dorival Caymmi usa ainda mais a fama de preguiçoso hoje para manter longe quem considera desagradável. Perto dos 82 anos, que completa no próximo dia 30, tenta ficar a maior parte do dia como gosta: parado num canto, calado.
No resto do tempo, lê um pouco, ouve música, passa os olhos pela televisão, fica horas na janela, vendo o movimento, fala ao telefone e, quando bem disposto, caminha até a praia a duas quadras do seu apartamento.
Dorival Caymmi tem hoje horário para tudo: se levanta com o nascer do sol, almoça às 13h, faz um lanche às 15h30 e janta às 18h30. Não compõe mais. A última música fez, sem querer, no dia 8 de março de 1991, a exatos cinco anos desta entrevista, enquanto recebia a visita de uma parente. Às vezes, pensa em uma nova canção, mas guarda na memória para algum dia tocar.
O COMPOSITOR
Caymmi nunca foi daqueles que deixam o violão sempre por perto para o caso de surgir a 'inspiração'. Sempre teve um jeito muito particular de compor. Como costuma dizer, "junta tudo em um compacto" de voz, canto, instrumento e expressão. É por isso que, quando lhe perguntam sobre quem mais gosta de ouvir interpretar suas canções, tem só uma resposta: "de mim mesmo".
Nos próximos dias 11 e 13 de abril, Dorival Caymmi vai voltar aos palcos, no Rio e em São Paulo, para o Heineken Concerts 96, ao lado do filho Dori Caymmi e de Gal Costa. Seu último show aconteceu em agosto do ano passado, na Bahia, na comemoração dos 50 anos da construtora Odebrecht, também ao lado dos filhos. Ultimamente, tem sido assim.
Ainda gosta de fazer shows e até gostaria de "ter maior disponibilidade", mas sua tendência é recusar todos os convites e só atender ao pedido dos filhos.
Não gosta mais de fazer tantas viagens. Prefere cuidar dos afazeres domésticos, passar a maior parte dos dias à beira-mar, em sua casa em Rio das Ostras, no litoral do Estado do Rio, e, pelo menos dois meses por ano, na Bahia, para matar as saudades.
Até mesmo os amigos cansam Caymmi. "Não tenho mais idade para fazer muita amizade. Em 1974, baixei uma portaria que dizia 'fechado para novas amizades', depois revoguei. Mas cansa", diz. Todo o seu tempo de 'lazer', gasta apenas com a mulher, os filhos e os netos.
"Só assim tenho conseguido manter um casamento de 56 anos".

PREGUIÇA
No sentido exato da preguiça necessária, sou preguiçoso. A preguiça necessária é quando você tira proveito de se dizer preguiçoso para não perder tempo com bobagem. Às vezes, você pega um camarada com uma conversa que não está interessando e você é obrigado a fazer uma cerimônia, uma cara falsa e eu não sirvo para esse modelo. Nessa hora, a preguiça é necessária. É condenada, é pecado, eu sei.
Mas, reparando bem, quando você diz assim: "Essa é uma boa hora para não fazer nada", é uma boa preguiça. A cabeça está funcionando e eu aprendi também — apesar de parecer que sou um falastrão — a ficar calado um certo tempo do dia, de forma que sempre deu um aspecto daquele que não faz nada. É assim: "O que é que Dorival faz? Nada, é assim, fica parado ali, pega um livro, um lápis, você não ouve nem a fala dele".
Isso é lembrança que vem desde a infância. Mamãe dizia assim: "Onde é que esse menino se meteu?". E eu estava no quarto, desenhando, fazia um versinho, uma poesia. A preguiça, neste sentido, existe e é necessária. Quando você diz "estou com preguiça", você mesmo se dá o direito de dizer: "Vou fugir daqui, sentar num canto e ninguém vai me perguntar nada". As pessoas já pensam: "Não fale muito com esse aí porque é um preguiçoso". É ótimo.
Talvez, se não fosse preguiçoso, teria produzido mais. Quando cheguei à vida profissional, uma das razões que levava o sujeito a se promover era dizer quantas músicas tinha gravado. Mas quem dá crédito e sucesso é o povo. Então, me acostumei a fazer uma música, cantar para mim. Depois, cantar para o povo. Não precisa ter uma obra enorme. O importante é a qualidade. Sem pretensão, nunca fiz questão da quantidade. Procurei sempre o espontâneo, aquilo que o povo gosta. Fazer uma coisa amorosa, bonita, procurar direito as frases. O enjoativo de música é quando se vê que tem muito 'olhar', muito 'você', é a repetição. Uma certa vagabundagem faz bem. Sem ela, não sai.
SEDUÇÃO
Vou dizer uma coisa: a virtude não é minha. Na verdade, existe uma ação do homem à procura do sexo oposto. Há a tentação da mulher nas diferenças de tipo, cara, corpo, cor, tudo. Mas a mulher também tem um poder de sedução terrível, tem mais poder do que o homem.
Confesso, sempre gostei do sexo oposto, sempre achei a mulher a perfeição, tem cheiro próprio, maciez. Mulher tem tudo. Sempre fui um apaixonado, mas as mulheres seduziam mais a mim do que eu a elas. A mulher vai lá, escolhe aquele que quer e ganha. Tem muito homem que quebra a cara. Não sou sedutor, fui seduzido e não tenho a menor queixa.
TOM JOBIM
A morte de Tom tem que ser levada como a expressão mais simples do decorrer da vida. Nasce-se e morre-se. Eu nunca poderia admitir a morte de Tom Jobim e tive que engolir seco e me preparar para isso durante anos.
Em 1965, o Tom já estava se queixando de doença. Ele foi ao médico, estava fumando em excesso, comendo errado. Naquela época, eu estava com gota. Os dois doentes. Em Los Angeles, eu chegava na casa dele e a mulher dele, Teresa, me olhava e falava: "Ainda tá capengando, Caymmi?". Um dia, ouvi uma coisa que me envergonhou muito. Eu saía do prédio de Tom, estava silêncio e ouvi Teresa dizer: "Eu vou escrever para Stella e dizer que Caymmi está levando uma vida errada aqui". Eu bebia, já tinha deixado de fumar, mas bebia e a gota sentia. Tenho um respeito pela mulher tão profundo que isso me tocou e tomei vergonha na cara.
Respeito muito a Teresa. De modo que, se Teresa está viva, Tom ainda está um pouco vivo nela e, se Ana Lontra, a última mulher de Tom, está viva, e vi pelos olhos dela que ele a amou muito, Tom está vivo também nela. Às vezes, quando sinto muita saudade, coloco um disco dele para ouvir.

BAHIA
Voltar a morar na Bahia? É uma pergunta que eu não gostaria de responder. Gostaria sim, mas é trabalhoso morar na Bahia hoje. Gostaria da Bahia de sonho. Às vezes, nos lugares que vou, não posso passar porque tem muito veículo, tem muita coisa, está diferente. Para ser sincero, no fundo todos nós temos uma raiz no lugar em que nascemos. O paulistano deve ter um lugar bem moderninho que está ligado a ele. Ninguém escapa disso.
Sinceramente, deixei de ter essa de 'vou me preparar para voltar para a minha terra'.
AMIZADES
Tem muita gente querendo armar uma entrevista em parceira comigo e Caetano Veloso, mas não quero fazer. Fiz uma com Gilberto Gil porque não sabia que se tratava disso. Ele mandou a Gilda Matoso me roubar aqui em casa. Pensei que fosse algo mais profissional, mas, quando cheguei, era o estúdio dele com tudo armado para me mostrar uma música chamada Buda Nagô, que fez para me agradar. Não tenho mais idade para fazer muita amizade. Em 1974, baixei uma portaria que dizia 'fechado para novas amizades'. Depois, tive que rasgar esse documento mental porque ainda dava tempo para fazer algumas amizades, mas cansa. Você tem que se distribuir em responder coisas e agradar, tem que puxar pela memória, se preparar, se adornar, estar sujeito a viagens de emergência. Tudo isso é uma canseira que leva a pensar: "Sabe de uma coisa? Quando você vai para casa é para ficar sozinho, ver a mulher, olhar para a criança e só".
INFLUÊNCIAS
Não preciso ter influência de ninguém. De quem Tom teve influência para fazer Samba de uma Nota Só? Como é que uma obra-prima nasce de uma gozação de fim de noite com um amigo? Ninguém deve fugir de ter aquilo que lhe é particular. Você faz uma canção com o passarinho, aquela mulher passeando na rua. Já andei desenhando mulheres conversando na feira. Gosto disso. Ela fala, põe as mãos nas cadeiras. Sou janeleiro. As músicas saem desse contato.
DIA A DIA
Já fui melhor leitor de jornal e melhor caminhador na praia. Hoje tem muita gente. Às vezes, ainda saio para passear, mas aí vem um sujeito, bate nas minhas costas e diz: "Eh, vento que balança". E a música não é minha, aí não tem graça. Ou então, falo para um jovem: "Sou Caymmi". Ele diz: "Quem?". E eu: "Dorival Caymmi". Aí ele pergunta: "Como é mesmo o nome?". Então digo: "Esse já entrou na minha tranquilidade". Não está me conhecendo. É ótimo.
MAR
Deixei de entrar no mar porque o mar que escolhemos há 20 e poucos anos era deserto e tranquilo, um lugar interiorano: Rio das Ostras. Agora não dá mais. Tem gente de todo lugar, fica sujo no verão, não dá para entrar na água. Temos que ir cedo para caminhar e voltar até as 7h30, pelo menos para me deixar satisfeito.
POLTRONA
Com relação à minha poltrona com o ventilador na frente, Caetano Veloso fez a imagem que quis. Ele falou isso quando eu estava perto dos 80 anos. Então, se presume que é uma idade em que a pessoa fica mais em casa e, se está calor, por que não ligar o ventilador? A preguiça é uma condição humana. Como se justificaria o bocejo, essa coisa tão linda, tão gostosa, se não houvesse a necessidade do repouso, do 'sooono'? Que beleza! E nada tira o prazer de você acordar e se espreguiçar porque amanheceu.
JORNALISMO
Se não fosse músico seria jornalista. Eu gosto. Meu primeiro emprego foi em um jornal, aos 16 anos, meu pai queria me tirar da vagabundagem. No Rio, o que me manteve sem a ajuda dos pais foi o jornal. Conheci amigos no bar e eles me chamavam para escrever artigos sobre música.
MULHER
O futuro do país está nas mãos da mulher. É a única que tem tolerância para aguentar por nove meses na barriga um produto que não é dela. Então, tem o poder da tolerância para tudo.

ENTREVISTA: DORIVAL CAYMMI, 90 ANOS
Jornal O Município. 31 de março de 2004. Pequeri, MG.
No próximo dia 30 de abril, o consagrado compositor Dorival Caymmi estará completando 90 anos, dos quais 64 casados com Stella Maris, mineira de Pequeri que conquistou o coração do famoso baiano.
A apresentação da futura esposa aos amigos aconteceu durante um almoço, à base de vatapá, na casa do escritor Jorge Amado, na Urca, no Rio. Na festa estavam os respeitados jornalistas Carlos Lacerda e Samuel Wainer, além do biquense Emil Farhat.
A amizade de Emil com os Caymmi se estendeu por muitos anos. Em meados da década de 90, ao tomar conhecimento de que o amigo tinha vindo morar em Pequeri, o escritor fez questão de homenagear Caymmi e Stella Maris em sua casa, em Bicas, com um almoço árabe, preparado por suas irmãs Ática e Suade Farhat.
Autor de eternos sucessos como O Que É Que a Baiana Tem?, Saudade da Bahia e Samba da Minha Terra, Caymmi recebeu em sua casa de Pequeri, onde mora com Stella, o diretor proprietário de O Município, José Maria Machado Veiga, para um simpático bate-papo, com a presença de Denise Cardoso e do colunista César Romero.
O Município — Baiano e morando no Rio, o senhor imaginava vir parar em Minas?
Caymmi — Vim a Minas pela primeira vez na década de 40 para conhecer a terra natal de minha mulher. Sempre gostei muito de São Pedro do Piquiri, que era o antigo nome, por ser um lugar agradável e tranquilo e onde existia o trem. Na época dos festivais de música voltei a Pequeri para rever os amigos. Incentivados pelos irmãos Gioconda e Júlio Vanni, eu e Stella decidimos adquirir uma casa e permanecer na cidade.
— Qual sua avaliação hoje da música popular brasileira?
— Não é atraente. Não é apaixonante, como era a música de antigamente. Hoje a prática é de quem gosta só de ganhar dinheiro. Não quer saber de qualidade, de beleza, de poesia, como já foi a preocupação do compositor e do cantor brasileiro.
A Bahia, por exemplo, já produziu o afoxé, o axé, a timbalada. Isso é um avanço ou um modismo? Não tem nada de avanço aí. É na base do rock. Bateu, valeu...
— A Bahia deve algum reconhecimento ao senhor?
— A Bahia sempre foi muito gentil comigo, mesmo estando fora de lá. Eu saí de lá no dia 1º de abril de 1938. Saí para o Rio de Janeiro. Eu queria viver a aventura de fazer jornalismo, literatura, e acabei entrando nesse meio e na música.
— Seus filhos, Danilo, Dori e Nana herdaram seu talento musical. Como o senhor avalia a continuidade de sua obra?
— A minha participação aí é pela metade (aponta para sua mulher, dona Stella Maris, sentada ao lado).
— O que acha do ministro Gilberto Gil?
— Ele tem o talento dele. Tomou uma posição no Estado, trabalhosa e difícil. Mas eu apoio ele.
— E a política atual?
— Eu não estou observando muito não, mas se o negócio está ruim, você não conserta naquele tempo programado. Se acham que o Brasil muda de hoje para amanhã, passando a ser um outro Brasil, isso não é fácil. A tarefa é dura. De modo que eu não estou dizendo do nada. Não é hora de falar nada.
— O senhor conseguiu atingir seu objetivo com sua obra?
— Atingi. Eu chego, o meu povo me conhece. A minha glória é essa.
— Como é seu processo de criação? A letra vem primeiro e a música depois, ou vem junto?
— Vem junto.
— O senhor tem alguma obra inédita?
— O que é que eu tenho de inédito (dirigindo-se à sua mulher, que começa a lembrar-lhe alguns versos)? Tenho um tema da abertura do livro de Jorge Amado, Teresa Batista (canta uns versos, sempre acompanhado pela mulher).
— Pequeri já inspirou alguma música do senhor?
(Quem responde é dona Stella) — Para mim, pelo menos, não (risos).
— Se eu tivesse que fazer alguma música sobre Pequeri, teria que ser naquela primeira fase, entre 1944 e 1952.
— Cite um dos muitos momentos importantes na sua carreira.
— Uma apresentação, em 1939, no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com o espetáculo beneficente Joujoux et Balangandãs, organizado pela primeira-dama, dona Darcy Vargas.
PING PONG
— Qual o tipo de música que o senhor ouve?
— Aquilo que me toca o coração. "Eu sonhei que tu estava tão linda"...
— Essa seria a música da vida do senhor?
— Não. Essa é apenas uma delas. A música clássica é uma das minhas paixões.
Ator — Procópio Ferreira.
Atriz — Aracy Cortes.
Mulher bonita — Stella Maris (sua esposa, que, ao fundo, comenta: "Essa não... Essa não").
Flor — Rosa.
Filme — Cidadão Kane, de Orson Welles. Tempos Modernos, de Charlie Chaplin.
Mito.
Na política. — Carlos Lacerda.
Na arte — Cândido Portinari.
Na literatura — Jorge Amado, Gilberto Freyre.
Prato predileto — Um vatapá e um caruru bem feito, como o preparado por uma amiga do peito, a Alda Rodrigues Pereira.
Agradecendo o carinho do casal Stella e Caymmi, encerramos com a opinião do 'mestre' sobre o livro Dorival Caymmi: o Mar e o Tempo, de autoria de sua neta Stella:
— Eu sou suspeito para falar de O Mar e o Tempo porque sou avô e amigo da autora. Talvez tenha também a suspeição de ser um participante deste texto lindo e bem organizado. Isto me dá um prazer enorme e um grande respeito pela autora e seu trabalho bem feito.

DORIVAL CAYMMI MORRE EM CASA, AOS 94 ANOS
Cristiane de Cássia. O Globo. 16 de agosto de 2008.
RIO - O cantor e compositor baiano Dorival Caymmi, de 94 anos, faleceu neste sábado, às 5h58m, de insuficiência renal, no apartamento da família, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Ele sofria de câncer renal desde 1999, quando passou por uma cirurgia e retirou um dos rins. Desde então, vivia recluso. Segundo sua neta, Stella, filha de Nana Caymmi, desde que Dorival deixou o hospital no ano passado, ele pediu para não ser mais internado e era tratado em casa com um enfermeiro. Sua mulher, Stella Maris, 86 anos, teve um ataque cardíaco há quatro meses e encontra-se internada em coma.
O velório está acontecendo na Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, e o enterro está previsto para domingo no Cemitério de São João Batista. Não foi marcada a hora porque a família vai esperar a chegada do filho Dori Caymmi, que mora em Los Angeles.
O governador da Bahia, Jaques Wagner, e o do Rio, Sérgio Cabral, decretaram luto de três dias em seus estados.
O presidente Lula divulgou uma nota sobre o falecimento do artista baiano:
"Dorival Caymmi é um dos fundadores da música popular brasileira, patriarca de uma linhagem de músicos de talento. Suas canções praieiras e seus sambas-canção são patrimônio da cultura nacional. Brilhou e inovou como compositor, músico e cantor. Sua música é uma completa tradução da Bahia. Foi com tristeza que recebi a notícia de sua morte. Meus sinceros pêsames a sua esposa Stella Maris e a seus filhos — Nana, Dori e Danilo. Sua obra permanecerá sempre viva na memória dos brasileiros, iluminando a todos com a graça e a alegria de suas músicas".
CORPO DE DORIVAL CAYMMI É ENTERRADO SOB APLAUSOS
O Globo Online. 17 de agosto de 2008.
RIO - O cantor e compositor Dorival Caymmi foi enterrado neste domingo às 15h50m, no cemitério São João Batista, na Zona Sul do Rio. O cortejo foi acompanhado por cerca de 200 pessoas, incluindo familiares — como os três filhos, Dori, Nana e Danilo — fãs e amigos, como Gilberto Gil e o ator Othon Bastos. O corpo foi sepultado sob aplausos.
Caymmi está enterrado no mesmo mausoléu em que está o corpo da cantora Carmen Miranda. A portuguesa foi a mais famosa intérprete de um dos maiores sucessos de Caymmi: O Que É Que a Baiana Tem?.
O corpo de Dorival Caymmi deixou a Câmara dos Vereadores às 14h50m, onde foi velado desde a tarde de sábado. Mais de 700 pessoas passaram pelo velório do cantor.
O filho Dori Caymmi, que chegou pela manhã ao Brasil vindo de Los Angeles, onde mora, foi direto para o velório.
Caymmi faleceu às 5h58m deste sábado, de falência múltipla de órgãos e câncer renal. Ontem, parentes, amigos e fãs passaram diante do corpo na presença da filha, a cantora Nana Caymmi, do filho, o músico Danilo Caymmi e de parentes.
A viúva do compositor, a cantora Stella Maris, está internada há quatro meses, por complicações de um ataque cardíaco. A piora de sua saúde, que a levou ao coma nas últimas semanas, teria apressado a morte de Dorival.
Danilo disse que o pai morreu em paz, com harmonia e tranquilidade, como desejava, no apartamento em Copacabana com vista para o mar que tanto amava. Nana disse que guardaria grandes lembranças do pai, a música, a poesia, os conselhos e o hábito de beber água em jejum. Disse que se sentia privilegiada por ter tido seu pai até agora, quando já é uma "burra velha". A emoção marcou o velório, onde estiveram, entre outros, Gilberto Braga, João Ubaldo Ribeiro, Daniela Mercury, Wagner Tiso, Glória Perez e o prefeito César Maia.
STELLA MARIS, VIÚVA DE DORIVAL CAYMMI, MORRE AOS 86 ANOS NO RIO
Luisa Belchior. Folha Online. 27de Agosto de 2008.
Morreu nesta quarta-feira a mulher de Dorival Caymmi, Stella Maris, 86. O hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo (zona sul do Rio), onde ela estava internada desde abril por problemas coronarianos, não divulgou a causa do falecimento, que aconteceu às 12h23, 11 dias após a morte do marido.
A família informou que pretende enterrar o corpo de Stella Maris ao lado do de Caymmi, no cemitério São João Batista, em Botafogo. O sepultamento e o velório devem acontecer amanhã. Ex-cantora de rádio, Stella Maris — ou Adelaide Tostes, seu nome de batismo — entrou em coma dez dias antes da morte do marido e três antes de sua previsão de alta no hospital.
No velório de Caymmi, familiares disseram que esta foi uma das causas para a piora no estado de saúde do compositor, que tratava um câncer nos rins desde 1999. "A ausência dela [Stella] acabou com ele. Ele entrou numa melancolia, desistiu de comer, desistiu de tudo", disse Nana Caymmi, a filha mais velha do músico e da ex-cantora.
Stella Maris foi cantora de rádio e abandonou a carreira ao se casar com Dorival Caymmi, em 1940. Deixa três filhos — Nana, 67, Dori, 65, e Danilo, 60 —, sete netos e cinco bisnetos.

Transcrito (com adaptações) de:
Revista da Folha. SP.
O Município. MG.
O Globo. RJ.
Folha Online.
Imagens:
Caymmi e autorretrato. O Globo.
Caymmi e a camisa listada 1, 2, 3. © Carlos Mancini.
Caymmi e Stella. jobim.org
Caymmi e suas biografias. Agência Estado.