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Mostrando postagens de maio, 2025

Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o8

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1945. Caymmi viajava com frequência para se apresentar em São Paulo. Costumava ficar hospedado na casa do pintor Clóvis Graciano. Jorge Amado, também em temporada de trabalho na cidade, morava num apartamento na Praça Júlio Mesquita. Jorge estava apaixonado pela paulista Zélia Gattai. Numa festa, armou um clima romântico à custa do amigo para se declarar. Pediu a Caymmi que cantasse para a amada.  Zélia recorda: "Por mais mal-afamado que o Jorge fosse, considerado o maior mulherengo de todos os tempos, um Barba-Azul, como dizia Oswald de Andrade, eu era uma de suas admiradoras incondicionais. Mas sempre com um pé atrás. De herói para namorado tinha um passo muito grande". Jorge Amado a levou até onde estava o compositor tocando o seu violão. "Aí, Jorge cochichou qualquer coisa no ouvido do compadre, ele olhou para mim, balançou a cabeça como quem diz muito bem e cantou  Acontece Que Eu Sou Baiano '. "Jorge apertou o meu braço com olho de peixe morto e disse: ...

Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o7

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"Foi com grande satisfação que recebemos a notícia de 30, data do seu natalício, o telegrama do nascimento da nossa bonequinha. Ainda fiquei mais entusiasmada pelo prazer que você e a Stella me deram. De dar o meu nome à sua pequena. Foi uma grande surpresa para nós" (Dinahir,  a irmã  caçula,  em junho de 1941). Foi para a 'bonequinha', Dinahir Tostes Caymmi, a futura Nana, que o baiano fez  Acalanto , que se tornaria a cantiga de ninar mais conhecida do Brasil quando passou a ser utilizada para encerrar as atividades diárias da Rádio Tupi e depois da TV Tupi. Caymmi, impressionado com o desgaste de Stella com a neném, criou uma cantiga que a fizesse dormir para que a mãe pudesse descansar. Compôs a partir do motivo melódico repetitivo do  Boi da Cara Preta  e chegou a uma cantiga de ninar muito original, que embalaria gerações de brasileiros. "Theófilo de Barros Filho foi quem sugeriu o título da canção". Muitos anos depois, em setembro de 1952, contratad...

Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o6

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"Naquela época, no Brasil, havia dois nomes que todo mundo conhecia: Getúlio Vargas e Carmen Miranda.  Depois que  O Que É Que a Baiana Tem?  fez sucesso, passei a ser identificado, saí em revistas, jornais. A Rádio Nacional me fez uma proposta excelente. Depois a Mayrink Veiga, uma melhor ainda. Então, eu fui para a fama direto, sem tropeços". Em meio às novidades de sua vida profissional, Caymmi foi fazendo amigos, principalmente entre o pessoal da imprensa. Conheceu Osório Borba, Carlos Lacerda — ainda na esquerda no período  —,  Samuel Wainer, Moacyr Werneck de Castro, Emil Farhat, Graciliano Ramos e aquele que viria a se tornar mais que amigo, um irmão para a vida toda, Jorge Amado. Theófilo de Barros — o primeiro a contratá-lo, na Rádio Tupi, um ano antes —  morava com um amigo num apartamento na Rua do Passeio, no Edifício Souza, 10º andar, apt. 1005. Um dia, o amigo foi embora. Theófilo convidou Caymmi para ocupar a vaga. "Era um apartamento grande,...

Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o5

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O baiano Dorival Caymmi, fininho, moreno e sestroso, foi levado à casa de Carmen por Almirante. Era outubro de 1938, domingo, noite de primavera. Carmen os recebeu de plataformas, short cavadinho nas virilhas, camisa amarrada na cintura e um lenço colorido na cabeça. Nenhuma maldade nisso. Era como andava pela casa e recebia todo mundo — repórteres, fotógrafos, compositores, amigos. Os menos habituados a pernas de fora e a um naco de barriga deviam desejá-la em sofrido silêncio; mas Caymmi tinha 24 anos, era moleque de praia na Bahia e diria depois que, naquele dia, só enxergara nela "a estrelíssima". Presentes também, na casa de Carmen, outros dois famosos: Aloysio de Oliveira, do Bando da Lua (que, Caymmi ouvira dizer, era o "namoradinho dela"), e Braguinha. Nitidamente não estavam ali para jogar buraco. Carmen mandou Caymmi sentar-se e pediu-lhe que cantasse  O Que É Que a Baiana Tem? . Caymmi pegou o violão e começou:     Tem torço de seda? Tem!    ...