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Mostrando postagens de março, 2025

24. A Classe Média no Espelho

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La Reproduction Interdite . Magritte, 1937. 1957. André Midani trabalhava como diretor de promoção na Odeon quando foi apresentado àquela que viria a ser a "turminha da bossa nova": Menescal, Nara, Bôscoli, Oscar (Castro-Neves), Luís Carlos (Vinhas) e Carlinhos (Lyra). O francês , em sua autobiografia, rememora: "Eu não entendia por que a indústria fonográfica brasileira ignorava por completo a juventude como um mercado potencialmente importante. Lá fora já eram evidentes os sinais da importância que os jovens de todas as classes sociais teriam na explosão da indústria fonográfica". Tão moço quanto eles, "quando os meninos começaram a tocar", atinou: "Aí está a música para a juventude brasileira!". "Adorei o estilo intimista, adorei as poesias e adorei as pessoas. Me identifiquei. Com uma certa desconfiança inicial, fui adotado por eles". Pouco tempo depois,  no apartamento de Aloysio de Oliveira (diretor artístico da gravadora e grande...

Leitura Complementar: Novos Filhos da Classe Média Urbana no Século XIX

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'Paulista'. Gravura de Lemaitre/Chaillot. 1837. PORTUGAL, SÉCULO XVIII "Que grandes máximas de modéstia, de temperança e de virtude se aprendem nestas canções! Esta praga é hoje geral depois que o Caldas começou de pôr em uso os seus rimances, e de versejar para mulheres". (Ribeiro dos Santos, doutor em cânones,  Manuscritos , Portugal, século XVIII) O excerto acima é parte do mais antigo comentário crítico ao mais antigo compositor brasileiro de música popular: Domingos Caldas Barbosa. Quem estudou a vida e a obra de Caldas Barbosa foi José Ramos Tinhorão. Com o olhar analítico de corte marxista que caracteriza sua escrita, Tinhorão diz que: "De fato, quando a partir de 1775 um mulato carioca, Domingos Caldas Barbosa, aparece em Lisboa cantando e acompanhando-se à viola, o que mais choca os europeus da corte da Rainha Dona Maria I é exatamente o tom direto e desenvolto com que o trovador se dirigia às mulheres e a malícia dos estribilhos com que rematava os seus...

23. De Perto Ninguém É Normal

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Angela Maria, Rádio Nacional, década de 1950 ou, A VIDA (NÃO MUITO) EXEMPLAR DOS ASTROS DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA Nelson E m 1931,  meses depois de conhecê-la, arrastado para a delegacia pelo pai da moça, Nelson Cavaquinho se casava com  Alice Ferreira Neves,  com quem teria quatro filhos. Por indicação do sogro, Nelson ingressou na Cavalaria da Polícia Militar. Montava um cavalo de nome Vovô e patrulhava o Morro da Mangueira, onde fez amizade com os compositores da Estação Primeira, entre eles, Zé da Zilda e Carlos Cachaça. Reza a lenda que no dia em que conheceu Cartola, a conversa se alongou por tanto tempo que Vovô voltou sozinho para o quartel.  Isso levaria nosso dublê de sambista e militar  —  mais uma vez  —  à detenção. "Eu ia tantas vezes em cana que já estava até acostumado. Era tranquilo, ficava lá compondo. Uma das músicas que fiz no xadrez é  Entre a Cruz e a Espada ". No ano de 1938, Nelson tratou de dar baixa  n a...

22. Pós-Tropicalistas e Expressivistas

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Gal em Ipanema. Instagram. Reprodução O Globo. No ensaio crítico que dedicou à autobiografia de Caetano Veloso, o professor Roberto Schwarz avalia que "bem vistas as coisas, a guerra de atrito com a esquerda não impediu que o [movimento tropicalista] fizesse parte do vagalhão estudantil, anticapitalista e internacional que culminou em 1968". Acrescenta: "Leal ao valor estético de sua rebeldia naquele período, Caetano o valoriza ao máximo". "Por outro lado", Schwarz aponta que Caetano compartilha em suas memórias  " os pontos de vista e o discurso dos vencedores da Guerra Fria" e se mostra  comprometido "com a vitória da nova situação, para a qual o capitalismo é inquestionável". PÓS-TROPICALISTAS Essa estranha figura do anticapitalista-que-não-questiona-o-capitalismo e que "valoriza ao máximo" o papel de rebelde, acabará por ser recorrente entre os  artistas (e seu público)  surgidos com os 'anos setenta', no rastro da...