Pequenas Biografias: NOEL ROSA_o9
Marília Era uma mocinha miúda, magra, de cabelos castanhos muito claros, os olhos ligeiramente rasgados, gestos discretos. Aguardava sua vez de subir ao palco quando notou que seu violão — justamente o violão de estimação, de um modelo premiado em Sevilha, presente do pai — estava nas mãos de Noel, que acabara de tomar sua cerveja e agora parecia experimentar o instrumento. Marília lembrou-se de ter deixado o violão sobre uma mesa perto do palco. Distraíra-se. Chegou apressada e apreensiva perto do moço magro que ela não conhecia e que (...) cantava um samba desconhecido. Se pretendia zangar-se, a beleza do samba, o sentimento que o moço magro parecia imprimir a cada verso, a cada palavra, a fez mudar de ideia. Permaneceu ali, ao lado de Noel, ouvindo-o cantar acompanhando-se no violão que o pai lhe dera. Perguntou-lhe o nome do samba. — Verdade Duvidosa . Ficou maravilhada. (...) isso se passou há dois anos . (...) Hoje, tem dezesseis anos e já é uma profi...