PENSAR A BOSSA_o9: Antonio Brasileiro (I)
Vida noturna Era mesmo um bas-fonds dos diabos, com os leões-de-chácara aproveitados da Polícia Especial do Getúlio, que defendiam a gente dos fregueses incômodos, chatos, briguentos. Houve cenas desagradáveis, amargas. Lembro de uma ocasião num lugar chamado French Can-Can onde havia um piano de cauda que eu tocava durante o jantar, ali entre a Constante Ramos e a Miguel Lemos, ao lado do Posto Cinco. Frequentavam a casa o Roger, que havia sido da Resistência Francesa, e um procurador da República, de que não lembro o nome. Os dois eram muito amigos, mas um dia eles se desentenderam de verdade. Esse procurador sacou do revólver para amedrontar o amigo, mas no meio do percurso entre o bolso e a mesa a arma disparou. A bala passou perto do meu estômago, junto ao baço, e ficou encravada na parede. No percurso até lá, furou o paletó do garçom que vinha passando com uma bandeja. Vi outras coisas tristes, como o incêndio do Vogue, onde o Schiller morreu abraçado com a esposa, na cama. Algué...