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Mostrando postagens de junho, 2026

PENSAR A BOSSA_12: Canção do Exílio

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LORENZO MAMMÌ Entre 1962, ano do famoso concerto no Carnegie Hall, e 1968, quando compõe Sabiá , Tom Jobim passou boa parte do tempo nos Estados Unidos. É a época de maior sucesso internacional da bossa nova. A permanência do compositor na América do Norte rende gravações antológicas, como as que integram o álbum Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim . No entanto, é evidente que Jobim não foi para a Meca do mercado musical com a mesma garra com que o precederam, vinte anos antes, Ary Barroso e Carmen Miranda. Resistiu até o último momento a participar da noite no Carnegie Hall. Nas cartas, como nas entrevistas concedidas mais tarde, queixa-se dos tradutores, do frio, da vida no estrangeiro. Parece suspeitar que sua música expresse uma forma de vida delicada demais para se adaptar ao rigor do sistema de produção norte-americano: "Os americanos jamais entenderiam essa nossa civilização de praia", declararia mais tarde. A maior parte do tempo, ele fica à espera. A se...

PENSAR A BOSSA_12: Tom & Clarice (Leitura Complementar)

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MINHAS SINFONIAS ESTÃO INÉDITAS Tom Jobim e eu já nos conhecíamos: ele foi o meu padrinho no Primeiro Festival de Escritores, quando foi lançado meu livro A Maçã no Escuro . E ele fazia brincadeiras: segurava o livro na mão e perguntava: quem compra? quem quer comprar? Para este diálogo, marcamos às seis da tarde: às seis e trinta e cinco tocavam a campainha da porta. E era o mesmo Tom que eu conhecia: bonito, simpático, com um ar puro malgré lui , com os cabelos um pouco caídos na testa. Um uísque na mesa e começamos quase que imediatamente a entrevista. — Como é que você encara o problema da maturidade? — Tem um verso do Drummond que diz: "A madureza, esta horrível prenda...". Não sei, Clarice, a gente fica mais capaz, mas também mais exigente. — Não faz mal, Tom, a gente exige bem . — Com a maturidade a gente passa a ter consciência de uma série de coisas que antes não tinha, mesmo os instintos os mais espontâneos passam pelo filtro. A polícia do espaço está presente, essa...

PENSAR A BOSSA_11: Frank & Tony (I)

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Tom já não era o único a promover reuniões musicais em sua casa. Paulinho Jobim, aos 16 anos, estudava flauta e reunia os amigos 'para fazer um som', como se dizia na época. Lá estavam sempre Danilo Caymmi, Paulo Guimarães, Sérgio Fayne (com os três, Paulinho formou um quarteto de flautas), Cláudio Guimarães, Geraldinho Carneiro e Eliane, que, dali a alguns anos, seria a sra. Paulo Jobim. Davam grande prejuízo a Tom bebendo todo o estoque de uísque da casa, levando o compositor a trocar o conteúdo das garrafas por bebida de má qualidade. Ainda assim, continuavam a beber e acabavam passando mal, sendo socorridos por Thereza com xícaras de chá apropriado para aquelas ocasiões. Essa era a vida de Tom em 1966: os bares de Ipanema, reuniões em casa, encontro com amigos etc. Durante os treinamentos da seleção brasileira para a Copa da Inglaterra, a revista Manchete promoveu uma conversa dele com Pelé, em que Tom pediu um autógrafo exatamente quando o craque tirava da bolsa um disco p...

PENSAR A BOSSA_11: Frank & Tony (II)

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Nelson Motta, repórter do Jornal do Brasil, foi ao Bar Veloso, que pouco depois mudaria o nome para Garota de Ipanema, para entrevistar Antonio Carlos Jobim e o encontrou de paletó e gravata, e não de bermudas, como era seu hábito nas tardes de sol dedicadas ao consumo de chope gelado e bate-papo com os amigos. Foi um desses amigos que se dirigiu a Nelsinho para justificar os trajes de Tom: "Isso passa logo. É uma fase de readaptação. O pior já foi superado. Tom está até falando português fluentemente". O entrevistado não queria falar de Frank Sinatra. Repetia apenas de maneira debochada: "Frank é um boa-praça". Em fins de setembro, Tom voltou aos Estados Unidos para participar do programa de televisão de Sinatra na NBC. Entrou no avião acompanhado de Thereza, com o violão numa das mãos e o LP Brasília: Sinfonia da Alvorada na outra. A produção do programa havia informado que ele não tocaria piano, mas violão, pois, para os produtores, era um instrumento mais coere...