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Mostrando postagens de outubro, 2025

Pequenas Biografias: LUIZ GONZAGA_o9

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A morte de Getúlio Vargas, em 54, significara a morte de um certo Brasil e o prenúncio de uma nova era. Com a eleição de Juscelino, em 1956, surgia o Brasil novo: o Brasil de Brasília, do Cinema Novo, do Concretismo, da Bossa Nova, da Jovem Guarda e da televisão; um Brasil com novos valores, novas aberturas, novos sonhos. Um Brasil programado para "crescer cinquenta anos em cinco". Um Brasil, enfim, predominantemente urbano. Começou então a travessia do deserto de Luiz Gonzaga. Curioso  deserto, porque muito povoado.  "Disseram que Luiz Gonzaga esteve no ostracismo, mas não foi bem o caso. O ostracismo foi só nas capitais. Ele  parou de tocar nas rádios, mas no interior ele sempre continuou levando cinco a dez mil pessoas nas praças. Agora, tanto na imprensa escrita quanto falada não se divulgou mais nada sobre Gonzaga". (Helena Gonzaga) "Eu, como cantador pobre, sabia que a cidade grande não ia me dar oportunidade, então eu gravava meus discos e ia procurar o ...

Pequenas Biografias: LUIZ GONZAGA_o8

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Gonzaga descobrira um lado do ofício de artista pelo qual se apaixonou: a vida na estrada. E novamente, com Zequinha e Catamilho, percorreu o país todo. Só que, dessa vez, foi de avião. O cantor  resolvera modificar seu visual. Trocou o terno de casimira por um gibão de couro, a gravata por uma cartucheira, o sapato de verniz por sandálias, e adquiriu um modelo de chapéu maior, mais vistoso e mais parecido com o de Lampião. Nesse ano, seu conjunto também sofreu algumas alterações, com a saída de Catamilho, por questões de "bebedeira". Gonzaga gostava de cerveja, de uísque, de vinho bom, mas bebia com medida. Tin ha horror de gente bêbada  e não  tolerava que seus companheiros de trabalho bebessem. "Quem trabalha comigo, se souber beber, não há problema. Mas se passar do limite, não quero".  Catamilho continuava bebendo, e bebendo cada vez mais. Subia ao palco embriagado, tropeçando, errando o ritmo. Em plena turnê, o patrão constatou que precisava de alguém para sub...

Pequenas Biografias: LUIZ GONZAGA_o7

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ANTOLOGIA Tímido e pouco chegado ao ambiente agitado do show business, Zé Dantas era, segundo testemunho de Fernando Lobo, "um amor de pessoa, que ficava todo corado quando a gente falava que uma música dele era maravilhosa". Afastado do Nordeste desde menino, Humberto Teixeira mentalizava o mundo sertanejo, mas não possuía o conhecimento de Zé Dantas, que o vivera por dentro . Com Humberto, Gonzaga realizara o seu projeto de lançar a música do Nordeste no Sul. Com Zé Dantas, ele iria mais longe. Juntos, os dois pernambucanos escreveriam uma verdadeira 'antologia do Nordeste'. ORQUESTRAÇÃO Faltava um conjunto tipicamente nordestino. Até então, nas turnês, Gonzaga se apresentava sozinho com a sanfona. Nas gravações e nas apresentações em rádio se fazia acompanhar por conjuntos regionais, que imprimiam ao baião um jeitinho de choro estilizado. "Foi quando me lembrei das bandas de pife que tocavam nas igrejas, na novena lá  do Araripe (...). Primeiro eu botei zabumb...