Postagens

Mostrando postagens de maio, 2024

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o9

Imagem
Pessoal da Velha Guarda Alta patente A vida havia voltado aos eixos. Entre os amigos e admiradores que apoiaram Pixinguinha na época das vacas magras, estava Almirante, 'a mais alta patente do rádio', como era conhecido o compositor, cantor e radialista Henrique Foréis Domingues. Ainda antes da retomada que o dueto com Benedito Lacerda proporcionou, o autor do imprescindível  No Tempo de Noel Rosa  convidara Pixinguinha para o elenco da Rádio Nacional, líder absoluta de audiência em todo o país. Quando em 1945 Getúlio Vargas foi deposto e a diretoria da emissora estatal mudou, Almirante transferiu-se para a Tupi e levou consigo os músicos com quem trabalhava.  Lá, em poucos meses, estreariam  O Pessoal da Velha Guarda . Escrito e apresentado por Almirante e tendo Pixinguinha como diretor musical, três conjuntos se revezavam durante os 30 minutos do programa. A Orquestra do Pessoal da Velha Guarda, o conjunto de Benedito Lacerda e o Grupo de Chorões (que, além dos núm...

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o8

Imagem
Carinhoso Dona Darci Vargas, a primeira-dama, convocou a alta sociedade carioca para promover, em outubro de 1936, um espetáculo beneficente no Municipal: a  Parada das Maravilhas . Misturados a talentosas socialites, músicos profissionais do naipe de Radamés Gnattali e d'O Bando da Lua garantiam a qualidade dos mais de 40 quadros. A jovem e promissora Heloísa Helena, atriz, cantora e compositora, preparando seu número, teve a ideia de colocar letra num choro de Pixinguinha já um tanto antigo, mas que vinha sendo cada vez mais executado pelos conjuntos regionais nas emissoras de rádio, o  Carinhoso . Heloísa procurou João de Barro, o Braguinha, com quem havia composto o samba  Tempo Bom , interpretado por ela no filme  Alô, Alô, Carnaval , no mesmo ano de 1936. Ali nasciam os versos daquela que seria até 2021 a segunda música mais regravada no Brasil em todos os tempos.           Meu coração           Não se...

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o7

Imagem
A Voz do Dono "Será o fonógrafo inimigo da música? Ameaçará ele os executantes no exercício da sua profissão? Enfim, a música mecânica será a destruição da música humana?", perguntava a revista Phono-Arte, em abril de 1929, para logo em seguida responder: "Não. Os exemplos pululam à nossa roda e podemos provar que em todos os domínios a matéria nunca subjugou o trabalho artístico do homem". Criada em pleno boom da indústria e do comércio fonográfico, a Phono-Arte refletia o entusiasmo provocado pela revolução que atingiu as gravadoras do mundo inteiro e alcançou o Brasil nos últimos anos da década de 1920, quando o uso do sistema elétrico de gravação sobrepujou o velho processo mecânico. "Graças à milagrosa fada Eletricidade, o momento prodigioso da música, em vez de se perder, é atualmente conservado, solidificado no disco elétrico, classificado nos arquivos e pode emocionar não mais uma centena de pessoas, como antigamente, e, sim, todos os habitantes do noss...

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o6

Imagem
"Então a macumba principiou de deveras se fazendo um sairê pra saudar os santos. E era assim: Na ponta vinha o ogã tocador de atabaque, um negrão filho de Ogum, bexiguento e fadista de profissão, se chamando Olelê Rui Barbosa". ( Macunaíma . Mário de Andrade) Restaurante Assírio Companhias Fevereiro de 1925. Novamente em parceria com Duque e Gaby, os Batutas partem para uma série de apresentações pelo estado de São Paulo. Interrompem temporariamente a turnê para, nos dias de Carnaval, animar os bailes do salão superior do High Life, os mais concorridos do Distrito Federal, cheios de "fina gente", como destaca o jornal A Noite. O sucesso, diz a matéria, é "retumbante". As marchinhas  Homem de Papelão  e  Passarinho da Carioca , pontos altos do repertório, chegam a ser repetidas, exclama o repórter, "oito vezes cada uma!". Iniciada a Quaresma, os Batutas tomam o rumo de Santos. Tinham estreia marcada para 7 de março no Teatro Coliseu Santista. Na c...

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o5

Imagem
Les Batutas Recém chegado a Paris, Pixinguinha, reza a lenda, era capaz de consumir quatro litros de rum por noite. Lenda difundida por ele, em pessoa. "Era fevereiro, fazia muito frio. Naquela época, o pessoal bebia muito rum Negrita. Então, era aquele negócio: 'Ô, Pixinguinha! Viens boire avec nous?'. Boire é beber. Aí, eu ia beber. Tinha um maître no Sheherazade que anotava tudo que a gente tomava. No fim do mês, ele dizia: 'Olha, aquele que está ali (era eu) tomou 120 litros de Negrita'. Num mês!  Eu ia tocar e ficava tocando toda a vida. Fazia tanto frio que a gente tomava aquilo e não sentia nada" (Pixinguinha, entrevista para Revista Manchete, 1973). A temporada, prevista para durar um mês, acabou por se estender até o final de julho. Em maio, Les Batutas já estavam de mudança para o Chez Duque, novo dancing aberto pelo dançarino baiano que tivera a iniciativa de levá-los à França. Na primavera animariam também as tardes ao ar livre no La Reserve de Sai...