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Mostrando postagens de abril, 2024

Leitura Complementar: MACUMBA

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VII. MACUMBA Macunaíma estava muito contrariado. Não conseguia reaver a muiraquitã e isso dava ódio. O milhor era matar Piaimã... Então saiu da cidade e foi no mato Fulano experimentar força. Campeou légua e meia e afinal enxergou uma peroba sem fim. Enfiou o braço na sapopemba e deu um puxão pra ver si arrancava o pau mas só o vento sacudia a folhagem na altura porém. “Inda não tenho bastante força não”, Macunaíma, refletiu. Agarrou num dente do ratinho chamado crô, fez uma bruta incisão na perna, de preceito pra quem é frouxo e voltou sangrando pra pensão. Estava desconsolado de não ter força ainda e vinha numa distração tamanha que deu uma topada. Então de tanta dor o herói viu no alto as estrelas e entre elas enxergou Capei minguadinha cercada de névoa. “Quando mingua a Luna não comeces coisa alguma” suspirou. E continuou consolado. No outro dia o tempo estava inteiramente frio e o herói resolveu se vingar de Venceslau Pietro Pietra dando uma sova nele pra esquentar. Porém por caus...

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o4

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  Tia Ciata 1. Depoimento de Bucy Moreira, neto da Tia Ciata, ao Museu da Imagem e do Som, RJ: Eu vou contar a história. Aqui na polícia central tinha um sujeito que se chamava Bispo, quando eu era criança. Depois eu fui crescendo e eles continuavam aqui na polícia. Ele era investigador e chofer do chefe de polícia, esse Bispo. Então o Venceslau Brás tinha um encosto aí na sua relação, que tinha uma eczema aqui na perna que os médicos na junta médica diziam que não podia fechar. "Se fechar, morre"! O Bispo disse pro Venceslau Brás: "eu tenho uma pessoa que lhe cura disso". Ele disse: "mas eu vou falar". "Ciata, você pode deixar, ele é um bom homem, é um senhor de bem, o presidente e tal... Ela disse: "quem precisa de caridade que venha cá". Aí o Bispo: "mas ele é o presidente da República"… "Então eu também não posso ir lá, não tenho nada com isso, não, não dependo dele". Às vezes ela era explosiva: "não conheço ele,...

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o3

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Rua do Catete, RJ, 1903 1. Em 1584, o padre Anchieta faz uma estimativa: existiam já três mil negros apenas na Bahia. Na verdade, o tráfico se inicia logo que uma intenção prática de exploração da terra descoberta é definida e o primeiro navio negreiro atraca em terras brasileiras antes mesmo que se estabeleça o governo geral. Homens ajuntados, vindos de diversas procedências, irmanados pela cor da pele e pela situação comum, os negros escravizados não perdem seus hábitos coletivistas, penosamente mantidos ao longo dos séculos, mas os vínculos de linhagem e família são inevitavelmente destruídos. A própria sobrevivência do indivíduo dependia de sua repersonalização, da aceitação relativa das novas regras do jogo, inclusive para que pudesse agir no sentido de modificá-las, ou pelo menos de criar alternativas para si e para os seus, dentro das possibilidades existentes. O negro passa a ser fundamental para a economia da colônia e a Abolição só será assinada quase 400 anos depois, quando ...

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o2

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Os Oito Batutas " Ar de loucura" "Foi o maior carnaval que houve, o carnaval depois da Espanhola. Respirava-se um ar de loucura. Os blocos de sujo invadiam as casas, mexendo com todo o mundo. Eram como almas, lençóis andando, não se sabia se homem ou mulher". Foi assim que o jornalista Mário Filho descreveu o carnaval de 1919, o primeiro depois dos horrores da gripe espanhola. A pandemia havia levado à morte 5% da população do planeta  — mais de 75 milhões de pessoas. No Brasil morreram 35.000, quase a metade delas no Rio de Janeiro. A vida retomava seu curso no ano em que Pixinguinha chegaria aos 21 anos de idade. Na tarde de 29 de maio, no Estádio das Laranjeiras, a Seleção sagra-se campeã sul-americana de Football, nosso primeiro título. Inspirado na vitória do Brasil sobre o Uruguai, decidida com um gol do atacante paulistano Arthur Friedenreich quase no final do segundo tempo da prorrogação, Pixinguinha compõe o que viria a ser um clássico inesquecível não só d...

Pequenas Biografias: PIXINGUINHA_o1

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  "Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas, se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido; escreva depressa: Pixinguinha". (Ary Vasconcelos) Choperia La Concha, 1911 A Pensão Vianna Na virada do século XIX para o XX, ilustres chorões do Rio de Janeiro costumavam se reunir em saraus que iam até tarde no imóvel de oito quartos, quatro salas e um quintal enorme onde Alfredo da Rocha Vianna e a esposa, Raimunda Maria da Conceição, moravam com o caçula Pixinguinha e mais 13 filhos no bairro do Catumbi. A 'Pensão Vianna', como o casarão carinhosamente era chamado, também tinha espaço para acolher amigos músicos em dificuldades financeiras. Por exemplo, Irineu de Almeida, requisitado trombonista, e a mãe, D. Generosa, ocupavam o 'quarto dos agregados', no fundo do terreno. Foi Irineu quem vaticinou:  "Esse menino promete" ,  ao ver Pixinguinha procurando tirar numa flauta de f...

Pequeno Comentário

Seja bem-vindo. Faço um breve esclarecimento sobre fontes e transcrições. A  Pequena Biografia  do grande Pixinguinha foi construída a partir de várias leituras, mas principalmente dos livros: Pixinguinha, Vida e Obra , de Sérgio Cabral, publicado em 1978, pela FUNARTE do Rio de Janeiro e Filho de Ogum Bexiguento , de 1979, escrito por Marília T. Barboza da Silva e Arthur L. de Oliveira Filho e editado pela mesma FUNARTE, RJ. A terceira fonte é o impressionante www.pixinguinha.com.br criado e mantido pelo Instituto Moreira Salles.   Trechos inteiros dos dois livros e do site estão aqui transcritos e recomendo vivamente a leitura direta dessas obras, possíveis de se encontrar (os livros) em sebos por preços bastante honestos e sem qualquer custo para consulta no site do IMS. Espero que os resumos apresentados nos meus posts despertem no leitor a vontade de conhecer em mais detalhes a vida e, principalmente, a obra do mestre Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. Tod...