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Mostrando postagens de agosto, 2024

Origens do Choro: Invenção do Maxixe_o3

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E confesso que, apesar dos documentos abundantes que estou recolhendo e estudando, muito ponto histórico e mesmo técnico ainda ficaria incerto num terreno virgem em que o próprio nome de maxixe não se sabe muito bem de onde veio. Nada se tem feito sobre isso e é uma vergonha. Mario de Andrade:  Música, Doce Música 1.   É com essa epígrafe que se inicia  Maxixe: a Dança Excomungada , livro que registra o minucioso estudo feito pelo escritor, musicólogo e jornalista Jota Efegê sobre o fenômeno do maxixe. A  Doce Música  de Mario saiu em 1934. O  Maxixe , exatos 40 anos depois. A pesquisa do livro gerou também o documentário 'quase' homônimo  Maxixe: a Dança Perdida , dirigido por Alex Viany, de 1980. O filme supriu uma importante lacuna: quase não existem imagens em movimento do maxixe sendo dançado no Brasil do início do século XX. Uma justificativa para isso poderia estar em parte na dificuldade de se obter equipamentos de cinema naqueles tempos, mas t...

Origens do Choro: Invenção do Maxixe_o2

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Club Progressistas da Cidade Nova.   Revista  O Malho . 19 de Fevereiro de 1910. 1.   No livro  Maxixe: a Dança Excomungada , o cronista e musicólogo Jota Efegê faz uma busca pela palavra 'maxixe' nos anúncios para os bailes das Sociedades Carnavalescas que os jornais publicavam ao longo das décadas finais do século XIX. "Convém notar que o jeito de dançar, rebolante, remexido (já há tempos), era usado e abusado. A polca, assim como a habanera e o tango, todos de ritmo saltitante, permitiam-no, ou melhor, provocavam-no". Inicialmente a pesquisa não encontra qualquer menção ao termo, o que indica que, assim como aconteceu com a música do choro, o modo novo de dançar desenvolveu-se primeiro e só depois ganhou nome. Jota Efegê, no entanto, acaba por flagrar, no decorrer dos anos, um curioso crescendo de licenciosidade nos textos de propaganda. Assim é que, se para o Carnaval de 1871, o Teatro D. Pedro II anunciava uma 'orquestra composta de 160 braços' pronta a d...

Origens do Choro: Invenção do Maxixe_o1

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  "O machiche (sic), como os jogos clandestinos, dança-se por toda a parte, com exceção, já se vê, dos lares, onde esboçá-lo sequer no movimento de uma mazurca, é praticar um ato da mais revoltante indecência. A sua música é a música dos tangos, com um ritmo novo, introduzido por compositores brasileiros; mas, na realidade, dança-se ao som de todas as músicas, de valsas, como de polcas, como de marchas, árias ou canções, por que o machiche é o ato de dançar e não a própria dança (...) Os pares enlaçam-se pelas pernas e pelos braços, apoiam-se pela testa num quanto possível gracioso movimento de marrar e, assim unidos, dão a um tempo três passos para diante e três para trás, com lentidão. Súbito, circunvolunteiam, guardando sempre o mesmo abraço, e, nesse rápido movimento, dobram os corpos para a frente e para trás, tanto quanto o permite a solidez dos seus rins; tornam a volutir com rapidez e força, tornam a dobrar-se, e, sempre lentamente, três passos à frente, três passos atrás,...

Origens do Choro: da Polca ao Maxixe

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Polka 1.  "Se tivesse de apontar uma data para o início da história do choro", afirma o músico e pesquisador Henrique Cazes, "não hesitaria em dar o mês de julho de 1845, quando a polca foi dançada pela primeira vez no Teatro São Pedro". Cazes¹ explica que o choro foi primeiro uma "maneira de tocar". A própria palavra, choro, segundo ele, seria decorrência da maneira mais lenta e "exacerbadamente sentimental" (chorosa) com que os músicos da época "abrasileiravam" as danças europeias. Somente no século XX, "pelas mãos geniais de Pixinguinha, choro passou a significar também um gênero musical de forma definida". "O processo de mistura de estilos e sotaques que levou ao nascimento do choro ocorreu de forma similar em diferentes países. A partir dos mesmos elementos  —  danças europeias (principalmente a polca) somadas ao sotaque do colonizador e à influência negra, foram surgindo gêneros que seriam a base de uma música popul...