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Mostrando postagens com o rótulo Anos 1960 - 1970

Anos 1960 — 1970_24: Flores e Espinhos

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Censura e apreensão Em 4 de outubro, ao ouvir boatos sobre a proibição de Caminhando , Vandré declara:  "Minha canção diz tudo o que penso e por isto me responsabilizo por ela. Cantarei em qualquer lugar onde haja um violão, pois minha função é cantar". Dois dias depois, o Jornal do Brasil publica um artigo assinado pelo general alagoano Octávio Costa, com o título As flores de Vandré . O militar afirma que o 3º FIC havia sido palco de três injustiças:  a primeira por parte do júri, por não premiar a melhor letra;  a segunda por parte da plateia, "pela cegueira da paixão, renegando dois dos maiores compositores brasileiros e sufocando a suavidade de Cinara e Cibele (sic)";  a terceira do próprio Vandré, cometida contra os "soldados armados". Para ele, apenas a terceira ainda poderia ser reparada. Se para bom entendedor um pingo é letra, fica claro que, do ponto de vista do general, o compositor deveria sofrer alguma punição. Na edição do dia 10, o Correio ...

Anos 1960 — 1970_23: Quem Sabe Faz a Hora

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Rio de Janeiro, domingo à noite, 29 de setembro de 1968. Quase 30 mil pessoas, a maioria jovens de classe média, acotovelam-se nas arquibancadas do Ginásio Gilberto Cardoso. O espaço foi inaugurado em 1954 no complexo do Maracanã (Estádio Mário Filho) e por isso apelidado de Maracanãzinho. Ali se realiza a finalíssima da fase nacional do 3º FIC (Festival Internacional da Canção), promovido pela TV Globo em parceria com o governo do estado da Guanabara. Oficialmente, a capacidade de público do ginásio não chega a 14 mil espectadores, mas, nesses tempos de mudança, o gosto musical dos jovens parece superar o interesse pelos esportes. O momento político é um dos mais conturbados desde a madrugada de 1º de abril de 1964, quando os militares apearam do poder o presidente João Goulart, que se viu obrigado a deixar o país. No auge da guerra fria, associadas a setores civis reacionários, as forças armadas assumiram o governo prometendo afastar a "ameaça comunista". Toda e qualquer co...

ANOS 1960 — 1970_22: O Ano Que Não Terminou

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O rito de passagem Não acreditava em sonhos e mais nada Apenas a carne me ardia e nela eu me encontrava PAULO | O intelectual de Terra em Transe A crônica da época não lhe dedicou mais do que magras 15 linhas. Nos registros existentes, ele consta apenas como uma das inúmeras festas que marcaram a entrada daquele distante 1968. E, no entanto, para os que viveram o que seria um banal acontecimento, ele permanece como um misterioso marco cujos símbolos e significados ocultos a memória e o tempo vão-se encarregando de descobrir, ou de criar, até obter o material com que se fazem os mitos. Não terá ocorrido com o "Réveillon da casa da Helô" o que ocorreu com outros aparentemente insignificantes mas memoráveis acontecimentos? Afinal, o Último Baile da Ilha Fiscal não mereceu da imprensa, de imediato, o justo destaque que lhe reservaria a História — ou a lenda. Ele foi dos "melhores", assegura uma das colunas sociais da época, sem porém lhe dar a correspondente importância...