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21. Um Percurso de Nosso Tempo

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"Escrito com distância de três décadas, em plena normalização capitalista do mundo nos anos 1990,  Verdade Tropical  recapitula a memorável efervescência dos anos 1960, em que o tropicalismo figurava com destaque. Bem vistas as coisas, a guerra de atrito com a esquerda não impediu que o movimento fizesse parte do vagalhão estudantil, anticapitalista e internacional que culminou em 1968. Leal ao valor estético de sua rebeldia naquele período, Caetano o valoriza ao máximo. Por outro lado, comprometido também com a vitória da nova situação, para a qual o capitalismo é inquestionável, o memorialista compartilha os pontos de vista e o discurso dos vencedores da Guerra Fria. Constrangedora, a renúncia à negatividade tem ela mesma valor de documento de época".  Com este parágrafo, Roberto Schwarz encerra  Verdade Tropical: um Percurso do Nosso Tempo , um dos ensaios que compõem ' Martinha versus Lucrécia. Ensaios e entrevistas', publicado pela  Companhia das Letra...

2o. Cultura e Política

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Desfile-show  Momento 68  da Rhodia, na Fenit. Foto: Vogue. "Em 1964 instalou-se no Brasil o regime militar, a fim de garantir o capital e o continente contra o socialismo". Inicia-se assim o clássico  Cultura e Política, 1964-1969: Alguns Esquemas , do professor Roberto Schwarz. Escrevendo na antecâmara do pior momento do Golpe Civil-Militar que ainda duraria mais de 10 anos, Schwarz desenvolve inusitada hipótese: "Apesar da ditadura da direita, há relativa hegemonia cultural da esquerda no país". "Esta anomalia", arremata, "é o traço mais visível do panorama cultural brasileiro entre 64 e 69".  (...)  "Antes de apresentá-la em seus resultados, é preciso localizar esta hegemonia e qualificá-la", propõe o autor de  As Ideias Fora do Lugar . "O seu domínio, salvo engano, concentra-se nos grupos diretamente ligados à produção ideológica, tais como estudantes, artistas, jornalistas, parte dos sociólogos e economistas, a parte raciocin...

19. A Indústria Cultural

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1. A categoria 'música popular', apesar de toda positividade descritivo-classificatória com que se apresenta, é absolutamente negativa. Apontando para si mesma, ela trata de operar a negação de duas outras categorias: música artística (ou clássica, erudita, dos mestres, acadêmica etc.) e música folclórica. Com relação à primeira, (...) ela procura se opor à 'música dos mestres', como um tipo de música que não supõe o saber, daí advindo seu sentido adjetivo, inicialmente depreciativo, de música vulgar. No que diz respeito à música folclórica, o que a expressão música popular pretende indicar é que se está no território negativo da tradição, território este caracterizado pela falta de autenticidade. Agora, a música popular  —  evidenciando-se como um fenômeno da moda, ligado sempre ao ideal da novidade,  encontra sua alteridade na alienação ou falta de compromisso com relação àquele 'mesmo', cuja identidade pretensamente aponta o passado (sobrevivência). Então, o ...

18. A Ética de João, Tom e Vinicius

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A música de Tom Jobim é uma promessa que o Brasil fez ao mundo e ainda não cumpriu.  ( Lorenzo Mammì) Poeta, poetinha vagabundo, Quem dera todo mundo fosse assim feito você!  (Toquinho & Chico Buarque) ... melhor do que o silêncio só João  ( Caetano Veloso) NACIONAL 1. (...) A bossa nova é nossa e nós temos que assumir isso; e nada desse negócio de deixa pra lá. (...) Eu não quero dizer que não sofre influências; só não sofre influências o que está morto: uma pedra não sofre influência, exceto do martelo. Mas tudo que vive, tudo que é sensível sofre influências. O Villa-Lobos escrevia  Valse , com 'e' no final, durante muito tempo. É claro que os poetas brasileiros escreveram sonetos em francês, o Bandeira... Vinicius e Fernando Pessoa escreveram em inglês. Eu não estou negando nenhuma influência. O samba é uma música viva, e, portanto, influenciada por tudo (...) felizmente, graças a Deus; porque senão seria um horror. (...) É lógico que há boas e más influência...