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Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_1o

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EM BUSCA DO MAIS SIMPLES Por Tárik de Souza Ele está aposentado como cantor e compositor desde 1970, depois de trinta anos de profissão. Às 6 horas da manhã, o pequeno despertador de pulso toca pela primeira vez. Quinze minutos depois, Dorival Caymmi está na calçada da praia de Copacabana, escolhendo o roteiro diário de algumas horas de caminhada, prescritas pelo médico, "para manter o peso": segue na direção de Ipanema, ou vai até a ponta do Leme. Ao meio-dia, o relógio soa de novo: deve ir à cidade cumprir seu expediente "não remunerado" de vice-presidente do conselho deliberativo de uma sociedade arrecadadora de direitos autorais, a SBACEM. Três horas mais tarde, volta a soar o despertador: "Preciso pegar o táxi de volta do centro, antes da hora do rush". Novamente em casa, Caymmi cerca-se de livros, violão e telas. Lê um pouco de Drummond, Rilke, "um best seller para distrair", que pode ser o  Aeroporto  de Arthur Hailey, e empunha o violão. ...

Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o9

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Entrevista de PAULO MENDES CAMPOS Foto de DARWIN BRANDÃO DIZER que Dorival Caymmi é um rapaz simples seria um lugar-comum de reportagem e uma inverdade. Caymmi não é de poses mas também não é simples. O modo com que fala, sua tortura para exprimir o que pensa, e se definir, suas irritações contra isso ou aquilo, mostram um homem subjetivo, de funcionamento emocional bastante complicado.  Encontramo-nos no bar, e falamos primeiramente sobre pintura. Outras reportagens já disseram alhures que Dorival Caymmi gosta de pintar. — Comecei a desenhar no colégio, disse-nos ele. Em 1943, frequentei um curso noturno de desenho na Escola de Belas-Artes da Bahia. Só muitos anos mais tarde, comecei a usar o óleo, e a interessar-me realmente pela pintura, comprando livros e álbuns. Fui muito combatido, a principio, pelos meus amigos, principalmente em casa e por Jorge Amado. Achavam que a pintura poderia me desviar da música.  Gosto de conversar sobre pintura onde sou atendido: Pancetti...

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1945. Caymmi viajava com frequência para se apresentar em São Paulo. Costumava ficar hospedado na casa do pintor Clóvis Graciano. Jorge Amado, também em temporada de trabalho na cidade, morava num apartamento na Praça Júlio Mesquita. Jorge estava apaixonado pela paulista Zélia Gattai. Numa festa, armou um clima romântico à custa do amigo para se declarar. Pediu a Caymmi que cantasse para a amada.  Zélia recorda: "Por mais mal-afamado que o Jorge fosse, considerado o maior mulherengo de todos os tempos, um Barba-Azul, como dizia Oswald de Andrade, eu era uma de suas admiradoras incondicionais. Mas sempre com um pé atrás. De herói para namorado tinha um passo muito grande". Jorge Amado a levou até onde estava o compositor tocando o seu violão. "Aí, Jorge cochichou qualquer coisa no ouvido do compadre, ele olhou para mim, balançou a cabeça como quem diz muito bem e cantou  Acontece Que Eu Sou Baiano '. "Jorge apertou o meu braço com olho de peixe morto e disse: ...