ANOS 1960 — 1970_19: Disparada
6 0 ANOS ESTA NOITE O cochilo no banco de trás do Fusca foi interrompido quando a voz, já naturalmente tonitruante, se elevou. O motorista parecia agitado: "Airto, pegue o lápis, anote um verso que eu acabei de pensar, senão vou esquecer". No banco do carona, o percussionista do grupo abriu o porta-luvas, encontrou o proverbial papel de embrulho que socorre os poetas longe de casa e tratou de registrar as redondilhas que Geraldo, mãos no volante e olhos na estrada, lhe ditava: prepare o seu coração... pras coisas que eu vou contar... eu venho lá do sertão... e posso não lhe agradar. De volta a São Paulo, quando Theo de Barros, dias depois, entregou pronta a melodia feita para o novo poema do criador de Porta Estandarte , Hilton Acioli, o passageiro que acordara a tempo de ver nascer uma das mais marcantes peças de toda a música brasileira, foi dos primeiros a aprendê-la. Acioli atuava como diretor musical do trabalho de Geraldo Vandré e juntos decidiram que Disparada seria ...