Postagens

ANOS 1960 — 1970_21: Festival de 67

Imagem
1967. Desde as 9 da manhã de 26 de julho, último dia das inscrições, a porta do Teatro Record Consolação estava tomada por uma fila de rapazes, moças, padres, freiras e tocadores de viola que serpenteava na escadaria do prediozinho, se alongando pela calçada em frente. (...) Mais de 4 mil músicas foram recebidas para a disputa de 25 milhões de cruzeiros destinados ao primeiro colocado (10 para o segundo, 7 para o terceiro, 5 e 3 para os últimos) do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Entre os compositores das 30 concorrentes anunciadas no dia 6 de setembro, estavam a dupla Dori Caymmi e Nelsinho Motta, Luís Carlos Paraná, Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho, Johnny Alf, Vandré, Chico, Edu, Gil e Sérgio Ricardo, além de vários recém-chegados. À imprensa, que abria um espaço incomparavelmente superior ao de qualquer festival anterior, coube divulgar no Dia da Independência as últimas seis concorrentes, entre elas: O Combatente (Walter Santos e Tereza Souza), A M...

ANOS 1960 — 1970_2o: Frente Ampla

Imagem
Nara Leão seduziu Roberto Carlos. Ela o atraiu para a área da música popular brasileira, sem prejuízo de suas interpretações da canção iê-iê-iê, que lhe deu fama e fortuna, e da qual é o rei incontestável do Brasil. Agora, Chico Buarque de Holanda e Geraldo Vandré completam o 'serviço', aliciando o jovem ídolo. O diálogo dos três jovens compositores e cantores foi gravado para os leitores de MANCHETE. 10 de dezembro de 1966 Chico Buarque — Roberto, você pediu à Nara que escolhesse um repertório de música brasileira pra você? Roberto Carlos — Bem, eu preciso pensar muito antes de fazer repertório nacional. Geraldo Vandré — Porque pensar muito? Antes de mais nada, quero te dizer que considero você um excelente cantor de música popular brasileira. Roberto — Sabe o que é? Acho que preciso ter muito cuidado, por já estar num gênero e de repente começar em outro. Não sei se teria de começar tudo de novo, ou pegar a coisa pela metade. Seria assim... Chico — Um jogo? Roberto — É....

ANOS 1960 — 1970_19: Disparada

Imagem
6 0 ANOS ESTA NOITE O cochilo no banco de trás do Fusca foi interrompido quando a voz, já naturalmente tonitruante, se elevou. O motorista parecia agitado: "Airto, pegue o lápis, anote um verso que eu acabei de pensar, senão vou esquecer". No banco do carona, o percussionista do grupo abriu o porta-luvas, encontrou o proverbial papel de embrulho que socorre os poetas longe de casa e tratou de registrar as redondilhas que Geraldo, mãos no volante e olhos na estrada, lhe ditava: prepare o seu coração... pras coisas que eu vou contar... eu venho lá do sertão... e posso não lhe agradar. De volta a São Paulo, quando Theo de Barros, dias depois, entregou pronta a melodia feita para o novo poema do criador de Porta Estandarte , Hilton Acioli, o passageiro que acordara a tempo de ver nascer uma das mais marcantes peças de toda a música brasileira, foi dos primeiros a aprendê-la. Acioli atuava como diretor musical do trabalho de Geraldo Vandré e juntos decidiram que Disparada seria ...