ANOS 1960 — 1970_22: O Ano Que Não Terminou
O rito de passagem Não acreditava em sonhos e mais nada Apenas a carne me ardia e nela eu me encontrava PAULO | O intelectual de Terra em Transe A crônica da época não lhe dedicou mais do que magras 15 linhas. Nos registros existentes, ele consta apenas como uma das inúmeras festas que marcaram a entrada daquele distante 1968. E, no entanto, para os que viveram o que seria um banal acontecimento, ele permanece como um misterioso marco cujos símbolos e significados ocultos a memória e o tempo vão-se encarregando de descobrir, ou de criar, até obter o material com que se fazem os mitos. Não terá ocorrido com o "Réveillon da casa da Helô" o que ocorreu com outros aparentemente insignificantes mas memoráveis acontecimentos? Afinal, o Último Baile da Ilha Fiscal não mereceu da imprensa, de imediato, o justo destaque que lhe reservaria a História — ou a lenda. Ele foi dos "melhores", assegura uma das colunas sociais da época, sem porém lhe dar a correspondente importância...