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Leitura Complementar: NOEL ROSA_o7 / Um Certo Ismael

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Capítulo 21 UM CERTO ISMAEL Noel Rosa e Francisco Alves estão sentados à mesa de um daqueles botequins do Centro que costumam frequentar. Tomam cafezinho. Talvez falem de música. Talvez conversem sobre o Pavão, que Noel continua pagando. Um tanto agitado, chega Ismael Silva. —  Que é que há, Ismael? Ele conta que vinha pela rua, tranquilamente, quando lhe baixou sobre a cabeça, como se caído do céu, um estribilho inteiro, música e letra. Receoso de esquecer o que bem pode ser o começo de um bom samba, diz: —  Vou cantar pra vocês. Sabem como é, três cabeças lembram melhor que uma. E canta:      Estou vivendo com você      Num martírio sem igual      Vou largar você de mão com razão      Para me livrar do mal Noel não perde tempo: — Posso fazer a segunda parte? A proposta não só pega de surpresa como invade o peito de Ismael Silva. Ele canta um simples estribilho, sem maior importância, e eis que Noel, ninguém menos qu...

Pequenas Biografias: NOEL ROSA_o7

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Ary Barroso A breve trajetória de Noel Rosa pelo mundo do teatro de revistas  —  limitada a apenas quatro peças, todas encenadas em 1931  —  trouxe-lhe dois grandes proveitos: tornou-o mais conhecido e aproximou-o de Ary Barroso, outro moço de extraordinária musicalidade que há de trocar o anel de doutor pelo samba. Sete anos mais velho que Noel, Ary ao menos chegará a completar o curso de direito, embora para pendurar o diploma, deixar que se cubra de poeira, usá-lo apenas para agradar a família, suas velhas tias avós de Ubá, Minas, onde nasceu há 27 anos. Quando se diz que Ary tem extraordinária musicalidade não se fala por falar. Pianista, músico com estudo, uma veia inquestionavelmente criativa, é o único dos compositores brasileiros desta época destinado a criar um tipo de samba que, não sendo Cidade Nova nem Estácio, tem força o bastante para abrir novos caminhos à música popular brasileira. São exemplos disso  Vou à Penha , de 1929, e  Faceira , dest...

Leitura Complementar: NOEL ROSA_o6 / A Casa da Rua Moju

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Capítulo 18 RISO DE CRIANÇA Noel toma cafezinho num dos botequins do Ponto de 100 Réis quando Alegria chega, olhos brilhando, fala nervosa. — Você não sabe o que eu descobri na Rua Moju, depois que te deixei ontem à noite na casa de Clara! Noel ouve: — Uma mulher lindíssima. Nunca vi uma tão bonita. Alegria continua inquieto, excitado, diferente do habitual. — Ficamos conversando. Marcamos um encontro para hoje à noite. Que mulher bonita, Noel! Não sei o que seria capaz de fazer por uma mulher assim. Você vai ver a Clara logo mais? Então vamos juntos. Uma fulminante paixão à primeira vista. Dela Alegria jamais se curará. O tempo há de mostrar que suas palavras  —  "Não sei o que seria capaz de fazer por uma mulher assim"  —  podem ser tomadas ao pé da letra. Tão bonita que por ela largará tudo, a boêmia, as serestas, os planos de tentar carreira no rádio. Uma mulher de tal beleza que a gente tem de ficar perto dia e noite. De início Noel talvez ache que o amigo exage...

Leitura Complementar: NOEL ROSA_o6 / Nem Rei, Nem General

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"Eu não pensava em ser general, nem Presidente da República. Que valia o próprio fastígio dos reis, dos soberanos absolutos, diante do encanto comunicativo dos criadores de ritmo?" ( entrevista ao Jornal de Rádio) Capítulo 14  NEM REI, NEM GENERAL Não há distância que não se reduza à metade.  Noel tem e terá sempre muitos amigos  motoristas de praça, todos dispostos a dar uma carona, seja para onde for.  Neste 1930, porém, três merecem especial atenção. São três boêmios, todos devotos das noites e das serenatas. Mais velhos que Noel, mas também jovens, solteiros, boêmios. Um deles é o amigo Alegria, que ainda não tem seu próprio carro, mas costuma conseguir um emprestado para fazer biscates na praça. O segundo, Valuche. O terceiro, Malhado. Dos três, Francisco Valuche é o mais aprumado, o que tem melhor situação, funcionário do Ministério da Fazenda pela manhã, motorista particular de um homem importante o resto do dia. O 'doutor' empresta-lhe seu reluzente Dodge de ...