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Leitura Complementar: NOEL ROSA_o1 / Marinheiros em Revolta

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Capítulo 1 NA CAUDA DE UM COMETA Marinheiros em Revolta (box) Por duas vezes os marinheiros fizeram estremecer o Rio de Janeiro em 1910, num sombrio capítulo de história que ficaria conhecido como Revolta da Chibata. Uma, a 22 de novembro, sete dias após ser empossado na Presidência da República o marechal Hermes Rodrigues da Fonseca. A segunda, na noite de 9 para 10 de dezembro. João Cândido, filho de tropeiro gaúcho que lutara na Guerra do Paraguai, praça-de-pé aos 30 anos, servia a bordo do encouraçado Minas Gerais quando liderou os companheiros deste e de mais três navios (o Bahia, o São Paulo e o Deodoro) no levante para que se abolissem os castigos corporais e outros maus-tratos aos marinheiros. O ponto de partida foram as 250 chibatadas aplicadas no fuzileiro Marcelino Rodrigues de Menezes, no convés do navio, diante da tropa perfilada e de tambores rufando solenemente: ... "as costas deste marinheiro"  —  diria depois o comandante da Marinha José Carlos de Carvalho, m...

Pequenas Biografias: NOEL ROSA_o1

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É sábado, 10 de dezembro. Desde a madrugada respira-se desassossego nas ruas do centro do Rio. (...) Ouvem-se ao longe tiros de canhão e estrondos de prédios que tombam atingidos por bombas e granadas. Famílias inteiras saem em pânico de suas casas. Correm para bondes, automóveis, trens. Fogem do fogo e da destruição, procurando um porto seguro em alguma parte. Está em curso o embate final do levante de marinheiros que entrará para a História como a  Revolta da Chibata . Balas perdidas vindas de dois lados atingem o Liceu de Artes e Ofícios, o Museu Comercial, o Colégio Pedro II, o Tesouro Nacional.  Tiros legalistas abatem dezenas, centenas de marinheiros.  (...) No Mosteiro de São Bento uma bomba rebelde destrói parcialmente as celas dos monges. Mais estragos: na rua Dom Manuel, no Catumbi, Frei Caneca, Carmo, São Salvador. (...) E foi no meio de tudo isso (...) que começou a nascer o primeiro neto de Eduardo Corrêa de Azevedo. O chalé A rua Theodoro da Silva é paralela...

Origens do Choro: Invenção do Maxixe_o3

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E confesso que, apesar dos documentos abundantes que estou recolhendo e estudando, muito ponto histórico e mesmo técnico ainda ficaria incerto num terreno virgem em que o próprio nome de maxixe não se sabe muito bem de onde veio. Nada se tem feito sobre isso e é uma vergonha. Mario de Andrade:  Música, Doce Música 1.   É com essa epígrafe que se inicia  Maxixe: a Dança Excomungada , livro que registra o minucioso estudo feito pelo escritor, musicólogo e jornalista Jota Efegê sobre o fenômeno do maxixe. A  Doce Música  de Mario saiu em 1934. O  Maxixe , exatos 40 anos depois. A pesquisa do livro gerou também o documentário 'quase' homônimo  Maxixe: a Dança Perdida , dirigido por Alex Viany, de 1980. O filme supriu uma importante lacuna: quase não existem imagens em movimento do maxixe sendo dançado no Brasil do início do século XX. Uma justificativa para isso poderia estar em parte na dificuldade de se obter equipamentos de cinema naqueles tempos, mas t...

Origens do Choro: Invenção do Maxixe_o2

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Club Progressistas da Cidade Nova.   Revista  O Malho . 19 de Fevereiro de 1910. 1.   No livro  Maxixe: a Dança Excomungada , o cronista e musicólogo Jota Efegê faz uma busca pela palavra 'maxixe' nos anúncios para os bailes das Sociedades Carnavalescas que os jornais publicavam ao longo das décadas finais do século XIX. "Convém notar que o jeito de dançar, rebolante, remexido (já há tempos), era usado e abusado. A polca, assim como a habanera e o tango, todos de ritmo saltitante, permitiam-no, ou melhor, provocavam-no". Inicialmente a pesquisa não encontra qualquer menção ao termo, o que indica que, assim como aconteceu com a música do choro, o modo novo de dançar desenvolveu-se primeiro e só depois ganhou nome. Jota Efegê, no entanto, acaba por flagrar, no decorrer dos anos, um curioso crescendo de licenciosidade nos textos de propaganda. Assim é que, se para o Carnaval de 1871, o Teatro D. Pedro II anunciava uma 'orquestra composta de 160 braços' pronta a d...

Origens do Choro: Invenção do Maxixe_o1

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  "O machiche (sic), como os jogos clandestinos, dança-se por toda a parte, com exceção, já se vê, dos lares, onde esboçá-lo sequer no movimento de uma mazurca, é praticar um ato da mais revoltante indecência. A sua música é a música dos tangos, com um ritmo novo, introduzido por compositores brasileiros; mas, na realidade, dança-se ao som de todas as músicas, de valsas, como de polcas, como de marchas, árias ou canções, por que o machiche é o ato de dançar e não a própria dança (...) Os pares enlaçam-se pelas pernas e pelos braços, apoiam-se pela testa num quanto possível gracioso movimento de marrar e, assim unidos, dão a um tempo três passos para diante e três para trás, com lentidão. Súbito, circunvolunteiam, guardando sempre o mesmo abraço, e, nesse rápido movimento, dobram os corpos para a frente e para trás, tanto quanto o permite a solidez dos seus rins; tornam a volutir com rapidez e força, tornam a dobrar-se, e, sempre lentamente, três passos à frente, três passos atrás,...