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Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o4

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PELAS RÁDIOS DA BAHIA A mais nova mania de Dorival e Zezinho era o rádio, a grande novidade tecnológica da época. Uma tarde, perambulando pelas ruas de Salvador, deram com um sobrado na avenida Sete, onde uma tabuletazinha indicava: Rádio Clube da Bahia. Avistaram uma escada e, não resistindo, subiram. Encontraram um rapaz de estatura mediana, muito gentil, chamado Vivi, que se apressou a mostrar as instalações simples da emissora. "Na sala tinha apenas um microfone de pedestal e uns armários. Numa outra, tinha uma discoteca, uma coisa desarrumada, já é o feitio de rádio. Vivi mostrou aquilo tudo e de repente disse assim:  —  Vocês fazem alguma coisa, cantam? Zezinho, que não queria cantar, disse: —  Cante você, Dorival". Como não havia gravador na época, Dorival não tinha a menor ideia de como era a sua voz. —  E aí, gostou?, perguntou a Zezinho. —  Sua voz é igual à do Francisco Alves, garantiu empolgado o amigo. Vivi não cometeu os mesmos exageros, mas convid...

Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o3

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Em 1925, a família se muda para a Ladeira do Carmo. Próximo, ficava o Pelourinho, com seus sobrados coloniais e sua memória da escravidão. A primeira providência do casal ao mudar foi matricular os meninos Dorival e Deraldo, com 11 e 13 anos, no Colégio Olímpio Cruz, para continuarem o primário. Dinah e Dinahir foram para o Colégio Emília Lobo, na Cruz do Pascoal, também próximo dali. Não havia colégios mistos na época. O sobrado em que moravam tinha dois quartos amplos, um para o casal e outro para as crianças. Da sala de jantar, via-se o galinheiro que Durval construiu no quintal. A sala de estar era grande, com três janelões.  A casa contava ainda com um sótão, de onde se tinha uma bela visão do mar. "Dorival fez um desenho lindo da Igreja das Caridades e na parede caiada do galinheiro ele desenhou um galo perfeito. As pessoas se admiravam da habilidade dele. Ele gostava muito de desenhar e aprendeu sozinho", relata Dinahir. Na escola, Dorival gostava especialmente das aul...

Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o2

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SOM IMAGEM MAGIA O século XIX ia pelo meio quando o jovem italiano resolveu deixar a terra e tentar a vida no novo mundo. Enrico tinha vinte e poucos anos e conhecia as artes da construção civil. Era solteiro. Sonhava. Fora contratado para trabalhar no Elevador Lacerda. A viagem naquele tempo era longa, muito longa. Tão longa que Enrico Balbino Caymmi teve tempo suficiente para conhecer e até se apaixonar por Maria da Glória, moça portuguesa que também vinha para o Brasil. E foi assim, pelas portas do mar e conduzidos pelo amor, que o primeiro casal Caymmi tocou a Bahia de Todos os Santos. A velha Bahia envolvente começou, naquele instante, a preparar as mezinhas, a queimar ervas de cheiro e a chamar os orixás: mais duas gerações e seu poeta maior iria nascer. Só que era preciso um trabalho cuidadoso — como as velhas baianas envolvem de magia o ritual de preparo dos quitutes — para que tudo saísse perfeito. O filho de Enrico e Maria da Glória, um baiano de sangue europeu, de nome Henri...

Pequenas Biografias: DORIVAL CAYMMI_o1

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O MAR E O TEMPO José Brito Pitanga corria apressado na direção do cais do porto, na esperança do Itapé ter chegado atrasado naquela segunda-feira, 4 de abril de 1938. Caso contrário, estava lascado. Eram pouco mais de sete da noite, hora prevista para a chegada do navio. O cais do porto não era para principiantes e o passageiro a quem veio recepcionar não estava acostumado com as manhas da capital. Zé Brito prometera à tia Vivi que ajudaria o rapaz e ela o cobrira de recomendações. Não podia falhar. Lá estava ele. Magro, mulato, com 1,66 m de altura, modesto e asseado. Ao seu lado, uma mala de tamanho médio e um pacote grande e quadrado. Chamou:  Dorival! Aliviado, Dorival se aproximou, recebendo um forte abraço do primo, a quem não via fazia muitos anos. Entre notícias apressadas dos parentes da Bahia, Zé Brito apanhou a mala.   —  Como você conseguiu desembarcar com tanta  bagagem?   —  Um português ajudou, mas me cobrou caro, 5 mil-réis.   —  U...

24. A Classe Média no Espelho

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La Reproduction Interdite . Magritte, 1937. 1957. André Midani trabalhava como diretor de promoção na Odeon quando foi apresentado àquela que viria a ser a "turminha da bossa nova": Menescal, Nara, Bôscoli, Oscar (Castro-Neves), Luís Carlos (Vinhas) e Carlinhos (Lyra). O francês , em sua autobiografia, rememora: "Eu não entendia por que a indústria fonográfica brasileira ignorava por completo a juventude como um mercado potencialmente importante. Lá fora já eram evidentes os sinais da importância que os jovens de todas as classes sociais teriam na explosão da indústria fonográfica". Tão moço quanto eles, "quando os meninos começaram a tocar", atinou: "Aí está a música para a juventude brasileira!". "Adorei o estilo intimista, adorei as poesias e adorei as pessoas. Me identifiquei. Com uma certa desconfiança inicial, fui adotado por eles". Pouco tempo depois,  no apartamento de Aloysio de Oliveira (diretor artístico da gravadora e grande...